Agora é agora!


Sabe, era ali ao fundo, junto ao portão. Era lá que costumava estar o fotógrafo, às vezes mais que um. Outras vezes estava lá um e outro por aqui, perto do coreto.
Era na altura em que eu e o resto da canalha miúda vínhamos para aqui, junto à árvore-da-borracha e vínhamos apanhar bagas. Depois com paus de fósforo, também apanhados aqui e ali, fazíamos uma espécie de coroas. Nelas espetávamos folhas de árvore e ficávamos assim com um coçar de índio com penas e tudo. Dividíamo-nos em índios e cowboys e íamos ali para o fundo, para aquilo que chamávamos de montanha, brincar.
Mas isso era naquela altura. Agora… Bem, agora é agora!

Isto foi, mais coisa menos coisa, o que me contou um dos meus interlocutores, já não tão novo quanto isso como se percebe. Ainda me adiantou que terá sido ainda antes de a feira popular ter passado por estes terrenos, entre o estar em Palhavã e o ir em definitivo para Entrecampos. Onde se finou!
Na imagem, uma tosca tentativa de recriação dessas coroas.
Não é fácil fazê-lo regular e a escolha das bagas bonitas e redondas também não.
Mas o mais complicado, a bem dizer o que foi impossível, foi encontrar uma caixa de fósforos. Carteira ainda se encontra. Agora caixa, daquelas pequenas com quarenta amorfos no interior e que cabem no bolso…
Bem, não corri seca e meca, mas das duas dezenas de lojas onde entrei apenas me propuseram carteiras, e nem em todas elas.

É que agora…. Bem, agora é agora!

Texto e imagem: by me

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